A PLENITUDE DO ESPÍRITO SANTO
Atos 4.31 e Efésios 5.18
Quando decidi falar sobre a “plenitude do Espírito Santo” não esperava encontrar logo de imediato duas surpresas. A primeira é que o termo “plenitude do Espírito Santo” não é uma expressão neotestamentária, ou seja, não ocorre nos textos do Novo Testamento. A segunda surpresa foi descobrir que o termo mais adequado para a idéia de plenitude do Espírito Santo é usado por um verbo “ser cheio de” que quase exclusivamente Lucas faz uso. E, neste caso ele faz uso tanto positivo quanto negativo desta expressão (cf. Lc 4.1; At 11.24; Lc 5.12; At 13.10).
Outro fato que me impressionou bastante foi ser confrontado pela Bíblia, a respeito de minha crença de que a “plenitude do Espírito Santo” ocorre exclusivamente através de um processo. Na verdade bíblica o crente pode “ser cheio do Espírito Santo” por meio de duas situações: por um processo diário de crescimento paulatino no Senhor; e também repentinamente através de uma crise profunda e poderosa. Talvez você fique tão surpreso quanto eu com tal afirmação, e para lhe ajudar a entender melhor estas duas situações, vejamos alguns exemplos:
a) Como fato repentino (instantâneo): Atos 2.1-4; Atos 4.31 e Atos 13.9. Tais exemplos bíblicos nos ajudam a entender que a plenitude do Espírito pode vir à nossa vida através de uma experiência de crise intensa, numa reunião de oração, num instante de busca, quebrantamento, entrega pessoal; pode vir de repente, num piscar de olhos, de maneira instantânea, pela intervenção graciosa de Deus.
b) Como um processo (gradativo): Atos 4.8; Atos 6.5; Atos 13.52 (ser x ficar). A plenitude do Espírito pode vir como uma experiência de crise, ou de forma mais natural, geralmente como uma progressão na rendição, na entrega, na vida que busca e se transforma dia a dia na presença do Senhor.
Quanto a ser cheio do Espírito Santo, também vale muito a pena dedicar atenção para entender como podemos experimentar tal realidade. Sobre este fato Billy Graham diz: “Apesar de a Bíblia não dizer muita coisa sobre este assunto, quando tomamos o Novo Testamento como um todo sobrarão poucas dúvidas em nossa mente sobre o que significa ter uma vida cheia do Espírito, ou como ela pode se tornar real em nós. Eu creio que o ensino do Novo Testamento sobre como ficar cheio do Espírito Santo pode ser resumido em três expressões: compreensão, submissão e andar pela fé”. No entanto, creio que podemos, a partir de uma análise bíblica mais cuidadosa, podemos ver como o Novo Testamento apresenta esta experiência:
1) Fundamentação no Amor (Ef 3.13-17): Paulo neste texto mostra primeiro o efeito e depois a causa. A) primeiro ele pede o poder de Deus enriqueça o homem interior de cada crente; B) e que esta plenitude seja tão intensa que caracterize a plenitude de Cristo habitando (katoikeo) em seus corações; e aí Paulo diz como isto acontece: “estando vós arraigados e alicerçados em amor” (v.17). Ninguém que não viva a realidade do amor pode experimentar a plenitude do Espírito Santo. E nenhuma atividade ou pessoa substitui esta realidade.
2) Ampla Comunhão (Ef 1.22,23; 4.3-6; Lucas 1.40-41): O resultado da comunhão e das relações do crente com a Igreja (local e universal) é a plenitude do Espírito (1.22-23). Podemos notar que Paulo em poucos versos faz uma síntese com os elementos básicos da teologia, separando-os com ponto e vírgula, mas quando ele fala de um só Corpo e um só Espírito, ele nãos os separa. Aprendemos com isso que a plenitude do Espírito acontece quando eu estou em comunhão com todo Corpo de Cristo.
3) Sofrimento e Perseguição (1Pedro 4.12-14): Mesmo sem transparecer, este texto nos fala de como o sofrimento e as perguições são também instrumentos de Deus para nos dar a pelnitude do Espírito. Quando somos expostos ao sofrimento injusto, quando sustentamos a justiça do Reino de Deus, quando assumimos a vida de santidade, quando não afrouxamos o compromisso da obediência a Deus, sem deixar que os “apesares” da vida nos vençam, existe uma promessa: “sobre vós repousa o Espírito da Glória de Deus”.
4) Vida de Oração (Atos 2.1-4; 4.31; Lucas 11.13): Quando falo de vida de oração, estou falando da atitude sistemática de buscar a Deus intensamente, com a expectativa de que Ele nos visite, e não orações-reza-evangélicas feitas mecanicamente. Sem uma vida de oração não há a menor chance de se viver qualquer projeto de vida com a plenitude do Espírito Santo.
5) A Prática da Palavra (João 7.37-39; 6.53-63): A plenitude do Espírito Santo também acontece através da nossa relação devocional, na presença de Jesus, com a sua Palavra, através do estudo sistemático e contínuo de sua Palavra. A única maneira de eu comer a carne e beber o sangue de Jesus é através da absorção da Palavra, que é espírito e vida. De modo que todas as vezes que estou precisando de me renovar tenho que fazer isso, ou seja, sempre que tenho fome e sede de Deus, tenho de supri-la na Palavra, e há nisso a promessa de que do meu interior fluirão rios de águas vivas(Jo 7.38): plenitude do Espírito.
Deixemos o Espírito Santo nos encher, pois esta é a vontade de Deus para nossas vidas. Que através das nossas relações entre irmãos; pelo amor aos irmãos, germinando e crescendo no coração; pela comunhão de serviço com TODO o Corpo de Cristo; pela vida devocional firmada na presença de Jesus, através da oração e da meditação e prática da Palavra; e até mesmo pelos sofrimentos e perseguições seja cheios do Espírito Santo, evidenciando tal enchimento através do Fruto do Espírito para a glória de Deus.
Que Deus nos encha com o Espírito Santo! A ordem do Senhor para ontem, hoje e sempre é esta: “Enchei-vos do Espírito Santo!”
Transborde o Espírito! Deixe-se dominar por Ele. Permita que Ele vá se infiltrando de tal maneira na forma de você pensar, ser, viver, que se misture, se uma ao seu homem interior.
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